segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Já no final do dia, bem de noitinhaFindado seu trabalho todo estranhoO artista disparou elogio tamanho,Dizendo: “não há arte igual a minha”.“Tripa de gato com resina, estanho,Urina, bosta seca e até farinhaAgitado ao galope duma éguinhaNo anverso deste rótulo de sonho”“Meu caro amigo diga-me, o que é ... isto?”“Um prospecto do mais novo de novo,Não há, logo asseguro, nada visto”.“É mesmo?” E olhei para aquele estorvo.“O sentido de tudo é fazer parte,Enquanto não tem nome chamei d’Arte!”

Já no final do dia, bem de noitinha
Findado seu trabalho todo estranho
O artista disparou elogio tamanho,
Dizendo: “não há arte igual a minha”.
“Tripa de gato com resina, estanho,
Urina, bosta seca e até farinha
Agitado ao galope duma éguinha
No anverso deste rótulo de sonho”
“Meu caro amigo diga-me, o que é ... isto?”
“Um prospecto do mais novo de novo,
Não há, logo asseguro, nada visto”.
“É mesmo?” E olhei para aquele estorvo.
“O sentido de tudo é fazer parte,
Enquanto não tem nome chamei d’Arte!”

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